sábado, 15 de novembro de 2014

Tratamento do Câncer de Próstata

Deve ser individualizado para cada paciente levando-se em conta a idade, o estadiamento do tumor, o grau histológico, o tamanho da próstata, as comorbidades, a expectativa de vida, os anseios do paciente e os recursos técnicos disponíveis.
Dentre os tratamentos, incluem: cirurgia radical, radioterapia e observação vigilante. Vamos entender cada um deles.


Observação vigilante

É uma opção frente à doença localizada, porém deve ser empregadas apenas em pacientes acima de 75 anos, com expectativa de vida limitada e tumores de baixo grau histológico.


Tipos de Prostatectomia Radical
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  •            Prostatectomia Radical Retropúbica

Esta é a cirurgia realizada pela maioria dos cirurgiões. Este procedimento é feito com anestesia geral, anestesia raquidiana ou peridural com sedação.
Nesta técnica, o cirurgião faz uma incisão na pele na parte inferior do abdome, do umbigo até o osso púbico. Se existe uma chance razoável, baseado nos resultados do PSA, toque retal e da biópsia, o cirurgião remove os linfonodos localizados em torno da próstata.
O cirurgião prestará especial atenção para os dois feixes de nervos minúsculos que correm a cada lado da próstata, e que controlam as ereções. Mas, se o tumor se desenvolveu dentro ou muito perto desses nervos, o cirurgião terá que removê-los. Se ambos são removidos, o paciente se torna impotente, o que significa que vai precisar de ajuda (como medicamentos ou bombas) para ter ereções. Caso seja necessária a remoção desses nervos em apenas um dos lados, ainda haverá chances de o paciente ter ereções. Se os nervos não foram afetados pela doença serão poupados, e dentro de alguns meses a um ano após a cirurgia o paciente voltará a ter ereção. 
Após a cirurgia, é mantido um cateter no pênis, durante 1 ou 2 semanas, para drenar a bexiga. Quando o cateter é retirado, o paciente volta a urinar normalmente.


  •          Prostatectomia Radical Perineal


Nesta cirurgia, o cirurgião faz a incisão na pele entre o ânus e o escroto (períneo). Esta abordagem é usada com menos frequência, porque não há como poupar os nervos, e os gânglios linfáticos não poderá ser removido.
No fim do ato cirúrgico um cateter é inserido no pênis para ajudar a drenar a bexiga. O cateter geralmente permanece no local por 1 a 2 semanas, e após a remoção do mesmo o paciente volta a urinar normalmente.


Prostata
Tipos de Prostatectomia Radical por Laparoscopia

  •  Prostatectomia Radical por Laparoscopia

Na prostatectomia radical por laparoscopia, se utilizam várias incisões pequenas, por onde são inseridos instrumentos especiais para remover a próstata. Um dos instrumentos tem uma pequena câmara de vídeo na extremidade, que permite a visualização interna do abdome.
A prostatectomia por laparoscopia tem algumas vantagens sobre a prostatectomia radical aberta, incluindo menor perda de sangue e dor, menor tempo de internação, e menor tempo de recuperação, embora seja igualmente necessário o uso do cateter.          



  • Prostatectomia Radical por Laparoscopia Assistida por Robótica

A cirurgia laparoscópica remota utiliza uma interface robótica (sistema da Vinci), que é conhecida como prostatectomia radical laparoscópica assistida por robótica. O procedimento é controlado a partir de uma  mesa de operações, onde o cirurgião controla os braços robóticos para realizar a cirurgia, através de pequenas incisões no abdome do paciente.
Essa técnica tem algumas vantagens sobre a prostatectomia radical por laparoscopia, em termos de dor, perda de sangue e tempo de recuperação. Existe pouca diferença entre a proctectomia robótica e direta para o paciente.



Riscos Cirúrgicos


Os riscos em qualquer tipo de prostatectomia radical são muito parecidos, assim como os de qualquer cirurgia de grande porte, incluindo os riscos anestésicos. Entre os mais importantes temos: pequeno risco de infarto, de derrame e de trombose em pernas que podem-se soltar e ir parar nos pulmões provocando embolia pulmonar, assim como infecção no local da incisão. 


Radioterapia

A radioterapia pode ser dividida em externa e intersticial (braquiterapia). A radioterapia externa (RXT) é uma ótima opção para o tratamento da doença localizada. Também pode ser indicada para pacientes que tenham contra-indicação à cirurgia. A dose de RXT mínima sobre a próstata deve ser de 72 Cy, respeitando-se a tolerância dos tecidos normais adjacentes. Apresenta como possíveis complicações: alterações gastrointestinais e cistite actínica. A braquiterapia intersticial permanente com sementes radioativas está indicada isoladamente aos pacientes com bom prognóstico (T1-T2a, PSA < 10 ng/ml, Gleason < 7) ou complementar à RXT externa para casos de pior prognóstico. Deve ser evitada nos casos de tumores volumosos ou submetidos previamente à ressecção prostática transuretral ou à prostatectomia convencional e em próstatas menores que 20 g. A braquiterapia intersticial de alta taxa de dose, em combinação com a RXT de megavoltagem também pode ser utilizada no tratamento de tumores localizados. Suas possíveis complicações são: Incontinência urinária, disfunção erétil e estenose de uretra ou colovesical.


Tratamento quimioterápico

A partir do momento que o câncer de próstata se dissemina a outras partes do corpo com metástases, o principal tratamento inicial é com a manipulação hormonal que tem como objetivo diminuir os níveis de testosterona que serve como alimento ao tumor. Essa manipulação hormonal pode ser realizada inicialmente com a administração de medicamentos hormonais ou a realização de cirurgia nos testículos. Esse tratamento normalmente apresenta um grau elevado de eficácia e um longo tempo de duração. Quando ocorre progressão do tumor mesmo na vigência destes tratamentos de manipulação hormonal, há a necessidade de se administrar outros medicamentos. Esses compreendem novos medicamentos de manipulação hormonal e quimioterapia. Nos casos onde ocorre dor acentuada em algum osso, há a possibilidade de realizar radioterapia neste local com o intuito de reduzir a dor. Novos medicamentos vêm sendo ativamente estudados para o tratamento do câncer de próstata. Esses tratamentos visam atacar o câncer de próstata através de diferentes mecanismos, tais como: manipulação hormonal, quimioterapia, terapia-alvo dirigida (que se fundamentam no bloqueio do alvo-molecular celular, a fim de destruir a célula tumoral), medicina nuclear e vacinas. A abiraterona e a enzalutamida são os principais novos medicamentos aprovados que visam bloquear a produção ou ação da testosterona em pacientes que falharam a tratamentos de manipulação hormonal e quimioterapias prévias. O cabazitaxel é um novo quimioterápico recentemente aprovado para o tratamento de pacientes que falharam com o quimioterápico docetaxel. Novos medicamentos potenciais são o alpharadin (também conhecido como Rádio-223), que é um isótomo radioativo que ataca as lesões metastáticas nos ossos; o cabozantinibe, que ataca proteínas nas células tumorais (VEGFR-2 e cMET) responsáveis pela agressividade do tumor; e as vacinas, que visam a melhorar a resposta do sistema imunológico dos pacientes contra o tumor.

Referências:


FERRIGNO, Dr. R. Próstata. Disponível em: < http://www.oncoantonioermirio.org.br/sobre-cancer/tipos-de-cancer/cancer-prostata/>

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cancer_da_prostata.pdf>


Equipe oncoguia. Tratamento cirúrgico do câncer de próstata. Disponível em: < http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tratamento-cirurgico-do-cancer-de-prostata/1207/290/>

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Exame de Toque Retal

Um exame de rotina utilizado no rastreamento do câncer de próstata é o exame por toque retal. Aliado à avaliação de antígeno específico da próstata (PSA) constitui o principal método pelo qual são detectados a maioria dos cânceres de próstata. O exame auxilia ainda no diagnóstico de outras afecções, como câncer colorretal ou fissura anal. Entretanto, ainda hoje há muita restrição e constrangimento por parte dos pacientes que precisam se submeter a este exame. Abordaremos aqui de maneira breve como é realizado o exame.
Inicialmente, é necessário ter uma noção da anatomia da próstata. Esta é uma glândula volumosa, de formato e tamanho aproximado de uma noz, localizada logo abaixo da bexiga e adiante do reto. É constituída por três lobos (direito, esquerdo e médio) sendo o direito e esquerdo separados por si por um sulco mediano. A função da próstata é a produção do suco prostático, importante para ativar a movimentação dos espermatozóides.
A posição da próstata logo a frente do reto permite que esta seja palpada indiretamente através do reto, podendo ser avaliada quanto a tamanho, sensibilidade, presença de nódulos e consistência.
O exame é feito em geral com o paciente em decúbito lateral esquerdo (“deitado de lado”, com o lado esquerdo sobre a mesa de exame), porém há clínicos que preferem realizá-lo com o paciente de pé, com o tronco fletido sobre a mesa de exame. O decúbito lateral é preferido por possibilitar que o paciente flexione a perna, facilitando o acesso e diminuindo o desconforto. O clínico insere o dedo enluvado e lubrificado no ânus do paciente, em direção ao umbigo. Neste momento, o clínico avalia a existência de escoriações ou lesões, que possam sugerir a presença de hemorróidas, abscesso perianal, verrugas venéreas ou cancro sifilítico. São avaliados também o tônus do esfíncter anal, a presença de hipersensibilidade e de regiões endurecidas.
Quando é atingido o reto, o clínico pesquisa a presença de nódulos, irregularidades ou áreas endurecidas, que possam sugerir câncer retal. Ao palpar a próstata, procura-se sinais como uma próstata aumentada, hipersensível, endurecida, com formato irregular, aspecto do sulco mediano. Dependendo dos achados, pode-se considerar desde uma hiperplasia benigna da próstata, até uma prostatite ou um câncer. Ao retirar o dedo, o clínico avalia a presença de sangue oculto nas fezes (SOF), possível indício de um câncer em uma região mais acima no tubo digestivo.
Nem sempre apenas o exame de toque retal é suficiente. O dedo do examinador não é capaz de palpar toda a extensão do reto, de modo que lesões acima da área rastreável por este método podem passar despercebidas. Se encontrar algo que provoque a suspeita de uma afecção mais séria, o clínico pode solicitar a realização de uma retossigmoidoscopia.


FONTES

BICKLEY L.S. Bates: Propedêutica médica. 10ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2010

ERHART E.A. Elementos de anatomia humana. 4ª Ed. São Paulo: Atheneu, 1973

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICOS E SINTOMAS!!!


Prevenção ou Diminuição de Risco

Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis. Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.


A idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos.

 

Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de se ter a doença de 3 a 10 vezes comparado à população em geral, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias.

 

Sintomas

Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

 

Detecção precoce

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção precoce de um câncer compreende duas diferentes estratégias: aquela destinada ao diagnóstico em pessoas que apresentam sinais iniciais da doença (diagnóstico precoce) e aquela, voltada para pessoas sem nenhum sintoma e aparentemente saudáveis (rastreamento). A decisão do uso do rastreamento como estratégia de saúde pública deve se basear em evidências científicas de qualidade.

 

Diagnóstico

PSA: dosagem por simples amostra de sangue

Além de produzir líquido seminal, a próstata secreta uma molécula chamada antígeno específico da próstata ou PSA. Em geral, considera-se que até 4 ng/ml de PSA no sangue é uma taxa normal. Acima desse nível, o médico solicitará um novo teste para verificar se a taxa de PSA aumenta e, eventualmente, outros exames complementares para determinar a origem da elevação do PSA.
Os testes de PSA geralmente são recomendados a partir de 50 anos. Uma taxa elevada de PSA indicará um problema de funcionamento da próstata, mas não permite diagnosticar um câncer. Para isso é necessário realizar exames complementares.


Esse exame é praticado pelo urologista clínico durante uma simples consulta. O médico apalpará a próstata passando pelo reto. Trata-se de um exame rápido e indolor.

As biópsias da próstata

O exame que permite determinar se um paciente está acometido de câncer da próstata é a biópsia, que consiste em coletar minúsculos fragmentos da próstata e analisá-los em laboratório para estudar os tipos de células contidos nos fragmentos coletados.
Antes do exame, uma lavagem (lavagem do reto com uma solução líquida) é feita e um tratamento antibiótico é administrado ao paciente. O exame dura entre 5 e 15 minutos. Pode ser realizado com anestesia local.
O médico visualizará a próstata por ecografia (sonda ecográfica colocada no reto) e, com uma agulha especial,coletará de 6 a 12 fragmentos da próstata através da parede do reto.

 


A coleta deste exame deve ser realizada obedecendo aos seguintes cuidados:
• Jejum de 8 horas e ausência de ejaculação 2 dias antes da coleta;
• Não ter feito uso de supositórios, não ter realizado toque retal ou sondagem 2 dias antes da coleta;
• Não ter se submetido a ultrassonografia transretal nos últimos 7 dias; não ter realizado coleta para biópsia prostática (6 semanas)ou colonoscopia (15 dias) antes da coleta;
• Evitar exercícios como andar de bicicleta ou à cavalo 2 semanas antes da coleta;
• O uso de medicamentos, terapias (radioterapia, quimioterapia) ou cirurgias anteriores deve ser comunicado ao Profissional, no momento da coleta do material para análise.



Referência

www2.inca.gov.br/
http://www.hifu-planet.com.br/cancer-da-prostata/diagnostico-classificação
 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Desenvolvimento do câncer de prostata

      Como qualquer outra forma de câncer, o câncer de próstata (CaP) tem início quando ocorre, por algum motivo, uma mutação em determinados genes de suas células. Essa mutação provoca à divisão celular intensa das células que a contém, de forma que uma parte do órgão irá “crescer” com rapidez, originando um tumor. Ainda não se compreende perfeitamente como ocorre a mutação (uma vez que existe um rígido sistema de controle para que nenhuma mutação ocorra), mas fatores como exposição à radiações ou substâncias tóxicas, presença de radicais livres, e predisposição hereditária podem contribuir para o processo.
      O CaP é o segundo mais comum no Brasil no sexo masculino (perdendo apenas para o câncer de pele não-melanoma), e o sexto tipo mais comum no mundo, tendo maior incidência nos países desenvolvidos. É típico da terceira idade, já que a maioria dos casos são detectados após os 65 anos.
      Uma pequena parte dos tumores cresce de maneira rápida, agressiva. A maior parte tem desenvolvimento lento, levando vários anos para poder ser detectado. Há casos em que o paciente portou a doença sem esta ter se manifestado e veio a falecer por outras causas.
     É comum após os 40 anos de idade, a próstata apresentar um pequeno aumento de tamanho, que não implica na presença ou na possibilidade de que no futuro o homem desenvolverá CaP. Este aumento é conhecido como hiperplasia prostática benigna (HPB), e pode causar dificuldades para urinar. Porém, qualquer aumento da próstata, ainda que benigno, merece certa atenção, pois, como dito anteriormente o CaP tem evolução muito lenta (leva em média 15 anos para crescer 1cm).
      A próstata, pequeno órgão com a forma aproximada de uma maçã, composto por lobos, se localiza logo abaixo da bexiga e em frente ao reto; sua principal função é produzir parte do líquido seminal, por meio de glândulas anexas a ela. São alterações nas células dessas glândulas que causam o tipo mais comum de CaP, os adenocarcinomas da próstata. Há várias formas de classificar o estadiamento da doença, que levam em conta a localização e a extensão do tumor. Conhecer o estadiamento é fundamental para a escolha da terapia correta e se ter um prognóstico mais seguro.

      A detecção costuma ser feita por exames laboratoriais, sendo o principal marador o do antígeno específico da próstata (PSA). O exame por toque retal é de importância por auxiliar na detecção de pequenas massas anormais na próstata; é recomendável que seja realizado após os 40 anos de idade devido ao crescimento, às vezes benigno, da próstata, mas que pode mascarar um tumor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Câncer de Próstata!!!!


O maior inimigo do homem

O câncer de próstata é o tumor mais frequente no homem e um dos principais em mortalidade. No Brasil, a doença é a segunda mais comum dentre os cânceres (atrás apenas do câncer de pele não- melanoma). É o sexto tipo mais frequente no mundo, representando cerca de 10% do total de cânceres. O INCA ( Instituto Nacional do Câncer) estima 69 mil novos casos da doença no Brasil em 2014. Esta realidade só irá mudar quando o preconceito, ceder lugar ao constante acompanhamento, para que a doença seja descoberta no inicio e tenha mais chance de cura.

O câncer de próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata ( dificuldade de urinar, redução do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou á noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários, infecção generalizada, insuficiência renal e óbito.

A prevenção é o melhor remédio. Os exames devem ser realizados a partir dos 50 anos para qualquer homem e, a partir dos 45 anos, para aqueles que possuem fatores de risco que são homens negros e aqueles com histórico em parentes de primeiro grau ( pai ou irmãos). Os exames de prevenção detectam até 95% dos casos. Segundo o urologista, Dr. Fernando Augusto Leone, o principal fator de risco é a idade. Cerca de 65% dos casos são identificados após 65 anos sendo apenas 0,1% diagnosticados antes dos 50.

O medo da disfunção erétil muitas vezes impede que o homem faça o exame na idade certa e/ou quando ocorre algum sintoma. Segundo Dr. Fernando, é comum que ocorra uma maior dificuldade para iniciar a ereção, geralmente, após tratamentos cirúrgicos, mas não é regra acontecer em todos os casos da doença. “As taxas de impotência após cirurgia estão relacionadas com a idade do paciente, a função erétil antes da cirurgia e a possibilidade de prevenção dos feixes neurovasculares”- ressalta Dr. Fernando. Ainda segundo o especialista, após a cirurgia, são prescritos medicamentos para o retorno mais precoce da ereção e satisfação sexual. Se necessários, pode- se optar pelo uso de próteses penianas.
 

O brasileiro ainda precisa acabar com o preconceito em relação a prevenção do câncer de próstata. “Principalmente em relação ao toque retal, que quando realizado precocemente pode salvar vidas”- finaliza o médico.

 


          

                                                                Referência:
 Dr. Fernando Augusto Leone (CRM 43825) Cirurgião Geral. Urologista Membro Aspirante do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, Membro da Associação Européia de Urologia, Cirurgião no Hospital Pace de Belo Horizonte.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Hanseníase

         Ocorreu nos dias 20 a 31 de outubro a Semana Estadual de Combate à Hanseníase.
       A hanseníase, também conhecida popularmente como lepra, é uma das mais antigas doenças a acompanhar o homem em sua estadia na Terra. Antigos textos egípcios, sumérios, babilônios, chineses e até a Bíblia fazem menção da doença.
       Em 1874, o médico norueguês Gerhard Henryk Hansen descobriu o agente causador da doença, o bacilo Mycobacterium leprae, cognominado desde então como bacilo de Hansen , razão pela qual a doença passou a ser conhecida como hanseníase, devido às outras designações (lepra, morféia, mal-de-lázaro) serem alvo de preconceito para com os portadores.

       A moléstia se caracteriza pela presença de lesões na pele, na forma de nódulos ou manchas, esbranquiçadas ou avermelhadas, que apresentam diminuição à sensibilidade seja à dor ou ao tato. Espessamento dos nervos superficiais com diminuição ou mesmo abolição da sensação de dor também pode ocorrer. O exame laboratorial dos tecidos revela a presença de bacilos ácido-resistentes, ou alterações histológicas características nos nervos.

       Em tempos passados, a hanseníase já foi um problema sério de saúde pública. A doença era tida como uma “maldição”, ou como manifestação da “ira dos deuses”. Os doentes eram considerados impuros e eram obrigados a viver apartados de qualquer contato com a sociedade. Até pouco tempo atrás, havia instituições próprias para abrigar os acometidos, denominadas lazaretos, na maioria das vezes mantidas por obras de caridade ou ordens monásticas. Atualmente, porém, com o desenvolvimento de medicamentos eficazes, a doença é facilmente tratada e curável e o paciente, se seguir corretamente a terapia, pode levar uma vida praticamente normal. Infelizmente, ainda persiste muita superstição e preconceito em torno da moléstia.
       A hanseníase tem maior prevalência na África, Ásia e casos endêmicos nas Américas e nas ilhas do Pacífico. Não se tem certeza absoluta de como se processa a transmissão. Metade dos acometidos tem histórico de contato com outras pessoas infectadas, na maioria das vezes, dividindo a mesma casa.  A hanseníase quando não tratada acomete severamente a mucosa nasal e um número elevado de bacilos é encontrado nas secreções nasais, podendo levar a crer que a transmissão também possa se dar por via aérea. Após o contato com o Mycobacterium leprae, o período de incubação costuma ser longo, na média de dois a três anos, mas podendo chegar mesmo a cinco ou sete anos.
       O diagnóstico é dado através do exame clínico de lesões crônicas e complementado pela biópsia. Anticorpos séricos IgM específicos também costumam ser encontrados, embora este exame não seja tão preciso quanto a biópsia. Pode ocorrer casos de pessoas que foram expostas ao bacilo de Hansen não desenvolverem a doença, apresentando apenas anticorpos específicos ao M. leprae. Aqueles que desenvolvem a doença podem apresentá-la sob quatro manifestações clínicas básicas: tuberculóide, lepromatoso (virchowiana), indeterminada e limítrofe (borderline). Tal distinção é meramente clínica; o mais importante é que todos os casos são tratáveis e passíveis de cura. Podem ainda ocorrer reações imunes, os estados reacionais, com exacerbações dos sintomas ou outras manifestações. Os estados reacionais podem ocorrer mesmo em indivíduos já curados; mas isso não significa que ainda são portadores da doença, trata-se apenas de “manifestações residuais”.
       O tratamento é feito através do uso de diversas drogas, tais como dapsona, clofazimina, rifampina, etionamida e talidomida. É importante ressaltar que o tratamento deve ser seguido a risca; pode tratar-se de um tratamento longo (chegando a 5 anos ou mais, talvez), mas não há necessidade de se isolar o paciente do convívio social e ele pode levar uma vida relativamente normal.



SINTOMAS: QUANDO SUSPEITAR DE HANSENÍASE?


       Deve-se suspeitar de hanseníase sempre que houver os seguintes sinais:
·                Manchas esbranquiçadas, róseas ou acobreadas, com sensação de dormência;
·            Qualquer área do corpo (em especial mãos e pés) com diminuição da sensibilidade e/ou da força muscular.
       Se estiver na dúvida se uma mancha é dormente ou não, basta realizar um teste simples: com os olhos fechados ou sem olhar para a região suspeita (para não interferir conscientemente no resultado), toque suavemente a área suspeita e a pele sadia próxima com a ponta de um alfinete. Se na área da mancha sentir o toque de forma diferente ou mesmo não senti-lo, é recomendável procurar assistência médica.
       O TRATAMENTO PARA A HANSENÍASE É OFERECIDO GRATUITAMENTE PARA TODOS OS DOENTES nos Postos de Saúde; também os medicamentos são oferecidos gratuitamente e os pacientes recebem acompanhamento durante todo o tratamento.


FONTES:





BEERS M. et al. The Merk manual of diagnosis and therapy. 17ª ed. New Jersey: Merk & Co., 1999.

TIERNEY L.; McPHEE S. PAPADAKIS M. Diagnóstico & tratamento. s/Ed. São Pulo: Atheneu, 1998.

sábado, 1 de novembro de 2014

O que são Medicamentos Essenciais?

     Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), medicamentos essenciais são aqueles que servem para satisfazer às necessidades de atenção à saúde da maioria da população. São selecionados de acordo com a sua relevância na saúde pública, evidência sobre a eficácia e a segurança e os estudos comparativos de custo efetividade. Devem estar disponíveis em todo momento, nas quantidades adequadas, nas formas farmacêuticas requeridas e a preços que os indivíduos e a comunidade possam pagar. 

      A Rename (Relação Nacional de Medicamentos) é uma lista realizada pelo Estado, ou Município que cita os medicamentos que são mais procurados pela população e que são considerados essenciais. Este ato garante a melhoria da qualidade de atenção à saúde, uma eficácia maior na gestão de medicamentos e prescrições médicas com maior qualidade. Diminui também o risco de agravos na farmacoterapia, já que esses medicamentos distribuídos nas redes de saúde são mais seguros e eficazes.
       Essa seleção facilita a escolha do medicamento para o tratamento, já que há estudos científicos para testar eficiência e eficácia, reações adversas, toxicidade, melhor modo de uso e outros fatores importantes para a prescrição ao usuário.
Na década de 90, a falta de acesso aos medicamentos, o aumento da demanda, a falta de lista atualizada, a assistência farmacêutica desarticulada e o abastecimento de locais de dispensação irregular, foram os gatilhos para a formulação da Política Nacional de Medicamentos (PNM) pela portaria MS/GM nº. 3916, de 30 de outubro de 1998, que tem como objetivo garantir o acesso aos medicamentos essências.
Independente se o medicamento tem um custo alto ou não, se for de uso geral, será incluído na relação. São incluídos medicamentos de uso ambulatorial e hospitalar.
      É feita revisões da relação de medicamentos de acordo com a OMS, em termos de periodicidade e na incorporação do paradigma da medicina baseada em evidencias. A atualização é feita pela Comissão Técnica e Multidisciplinar de Atualização da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Comare), com representantes da MS (Ministério da Saúde), Universidades, profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde e a sociedade civil organizada.
      As revisões buscam apresentar transparência nas decisões e principalmente garantir que a sociedade participe dando opiniões. É possível que qualquer pessoa, física ou jurídica possa intervir na relação e até propor mudanças seguindo um argumento sólido.

      Você pode encontrar a Relação Municipal de Medicamentos Essenciais do município de São Paulo no site da prefeitura http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//arquivos/secretarias/saude/ass_farmaceutica/0004/remune2004.pdf. O link irá te direcionar direto à lista.

      Como moramos na cidade de Presidente Prudente, segue abaixo a lista do município:


      Abrirá uma página como esta:


      Agora é só descer a página.
      
      Você pode encontrar a Rename atualizada no site http://www.sinfaerj.org.br/Arquivos /livro_rename_out_2013.pdf

      Lembrando que essa Relação de Medicamentos deve ser disponibilizada para a população, então procure o site da secretária municipal de saúde do seu município e fique por dentro.



Referências Bibliográficas

Secretária Municipal de Saúde de Presidente Prudente. Disponível em: <http://www.saudepp.sp.gov.br/farmacia/default.asp>

Secretária Municipal da Saúde de São Paulo. Relação Municipal de Medicamentos. Disponível em: <http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//arquivos/secretarias/saude/ass _farmaceutica/0004/remune2004.pdf>

Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos. Disponível em: <http://www.sinfaerj.org.br/Arquivos/livro_rename_out_2013.pdf>

PEPE, V. L. E.. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename): a seleção de medicamentos no Brasil. Disponível em :<http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/judicializacao/pdfs/514.pdf> 

Instituto Salus. Importância dos Medicamentos Essenciais na Saúde Pública. Disponível em: <http://www.institutosalus.com/noticias/uso-racional-de-medicamentos/importancia-dos-medicamentos-essenciais-na-saude-publica> 


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Umidade Relativa do Ar

     A falta de chuva tem causado preocupação em boa parte do Brasil neste ano de 2014.        Muitos reservatórios estão quase vazios devido a estiagem, e se a situação persistir, a população de várias cidades corre o risco de ficar sem água. Uma ironia tratando-se de Brasil, um dos países com a maior disponibilidade de água doce no mundo.
     Água sempre foi um fator indispensável para estabelecimento das populações humanas.      Quase todas as grandes civilizações da Antiguidade floresceram às margens de rios: o Nilo no Egito, o Jordão na Palestina, o Tigre e o Eufrates na Mesopotâmia, o Ganges na Índia, o Rio Amarelo na China, o Reno na Germânia, o Tibre em Roma...para citar apenas alguns.
Mas a água não é importante apenas por seu caráter de item primordial ao consumo humano e para seus rebanhos e pastagens. A água em seu estado gasoso também é um fator determinante na qualidade de vida. Se a umidade relativa do ar estiver fora dos padrões aceitáveis, a possibilidade de agravos à saúde aumenta. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece acima de 60% como sendo o ideal de umidade. Valores muito altos, próximos a 100% também são prejudiciais, portanto o aceitável é que a umidade permaneça em uma faixa entre 60 a 80%.
     Mas, o que é exatamente a umidade relativa do ar? Trata-se da quantidade de vapor d’água existente na atmosfera. Seu valor é expresso em relação ao ponto de saturação (a quantidade máxima de água que pode evaporar) podendo ser expressa em de maneira absoluta (em g/m3) ou relativa (em porcentagem). Quando se diz que a umidade do ar está a 75%, significa que 75% da capacidade de um volume predeterminado de ar reter vapor de água foi atingido.
     A umidade do ar pode ser determinada por dois aparelhos: o psicrômetro (que calcula a taxa de evaporação da água) e o higrômetro (que mede a quantidade de água no ar). Os fatores envolvidos na variação da umidade do ar são a temperatura, proximidade a corpos de água (rios, lagos, mares, represas), cobertura vegetal, edificações, altitude, entre outros.
     A baixa umidade afeta diretamente as condições de vários sistemas do organismo. Os problemas mais evidentes se dão no aparelho respiratório. O ressecamento da mucosa do nariz é bastante comum. Quando isso ocorre, as partículas em suspensão no ar não são filtradas eficientemente, prosseguindo dessa forma para dentro do aparelho respiratório, o que pode causar mais complicações. Assim, pode surgir a rinite (inflamação da mucosa do nariz) e mesmo faringites e pequenos sangramentos pelo nariz.
     Os olhos também estão sujeitos ao ressecamento, que além do desconforto, pode em casos extremos expor a córnea a maior risco de lesões. A pele de mãos, pés e cotovelos são especialmente suscetíveis ao ressecamento. Além disso, a baixa umidade contribui para a elevação da quantidade de partículas em suspensão no ar, causando sérios quadros alérgicos e complicando a situação de pacientes com asma.
     O uso de vaporizadores é uma medida para melhorar a qualidade do ar nos ambientes, mas medidas artesanais, como baldes com água e toalhas molhadas espalhados pela casa tem efeito equivalente. O uso de soro fisiológico nos olhos e narinas ajuda a prevenir incômodos devido o ressecamento. Devem-se evitar exercícios físicos durante as horas mais quentes do dia e sempre que possível evitar aglomerações em ambientes fechados. E sempre consumir bastante líquido; a alta temperatura e a baixa umidade podem levar à desidratação com muita facilidade.


FONTES

http://www.brasilescola.com/geografia/umidade-ar.htm 

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/09/09/baixa-umidade-do-ar-deixa-sao-paulo-em-estado-de-atencao.htm 

http://www.cgesp.org/v3/umidade-relativa-do-ar.jsp 

http://sbdpi.org.br/video-entrevista-cuidados-com-a-baixa-umidade/

sábado, 25 de outubro de 2014

Farmacovigilância: O que é e para que serve?

      Antes de ler esse post, seria interessante você ler a publicação de terça-feira (21) sobre o Uso Racional de Medicamentos, pois Farmacovigilância aborda também este fato.
      Talvez você já tenha escutado este termo em algum lugar, mas você sabe exatamente o que é?


      

      Farmacovigilância é uma ação que envolve um conjunto de procedimentos para detectar, avaliar, compreender e principalmente prevenir reações adversas a medicamentos. Isso é feito em medicamentos que já estão no mercado. É realizada de forma compartilhada com as Vigilâncias estaduais e municipais em conjunto com a ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). 
      O objetivo principal é diminuir as taxas de morbidade e mortalidade associada ao uso de medicamentos, por meio de uma detecção precoce de erros, ou problemas na segurança desses medicamentos.
     A principal ferramenta da farmacovigilância é a notificação espontânea por parte dos profissionais de saúde, de toda suspeita de reação adversa causada por medicamento ou mesmo de outros problemas relacionados a medicamentos como desvios de qualidade, perda de eficácia, abuso, intoxicação, uso indevido ou mesmo erros de administração. Essa notificação é muito importante para obter a identificação precoce de reações adversas desconhecidas, identificação do aumento da frequência de reações conhecidas, identificar os fatores de risco e principalmente promover a disseminação dessas informações para garantir a correta prescrição e regulação do medicamento, gerando assim o uso racional e seguro de medicamentos.


Que tal um pouco de história?

       
       Em 1956 foi lançado no mercado um medicamento, inicialmente antigripal, que se tornou muito popular na Europa, precisamente, na Alemanha, de onde originou. A Talidomida era considerada pelos alemães como um medicamento seguro e atóxico e por isso era vendido sem prescrição médica. Era indicada para dores de cabeça, asma, tosse e enjoos para as mulheres grávidas e até era utilizada para induzir o sono. Em meados de 1959, médicos desconfiaram da ação da talidomida associado à má formação de bebes, principalmente nos membros superiores, e grande parte eram natimortos, ou morreram logo após o nascimento. Por fim, na década de 60, a talidomida teve seu efeito teratogênico confirmado e foi imediatamente retirado do mercado. Esse acontecimento foi um marco na história dos medicamentos, porque até então esse efeito era pouco testado. No Brasil, a talidomida é liberada para tratamentos específicos, como hanseníase. Em 1963, a décima sexta Assembleia Mundial de Saúde, adotou uma resolução (WHA 16.36) que reafirmou a necessidade de ações imediatas em relação a disseminação rápida de informações sobre reações adversas a medicamentos, o que conduziu posteriormente, à criação do projeto de Pesquisa Piloto para a monitorização Internacional de Medicamentos da OMS em 1968 com o intuito de identificar efeitos adversos de medicamentos desconhecidos ou pouco estudados em esfera internacional. A partir daí, iniciaram-se a prática e a ciência da farmacovigilância. 


Uma visão geral

      
     Na última década, houve conscientização crescente de que a farmacovigilância deveria ser estendido para a identificação de novos sinais relativos à segurança. A globalização, o consumismo, a explosão do livre comércio, a comunicação entre fronteiras e o uso crescente da Internet resultaram numa mudança do acesso a todos os medicamentos e às informações sobre eles. Essas mudanças fizeram surgir novos tipos de questões relativas à segurança, como, por exemplo:
  • Venda ilegal de medicamentos e drogas de abuso pela Internet;
  • Prática crescente de automedicação;
  • Práticas irracionais e potencialmente inseguras de doação de medicamentos;
  • Ampla fabricação e venda de medicamentos falsificados e de baixa qualidade;
  • Uso crescente de medicamentos tradicionais fora do âmbito da cultura de uso tradicional;
  • Uso crescente de medicamentos tradicionais e plantas medicinais com outros medicamentos com potencial para interações medicamentosas adversas.


     Os objetivos específicos de farmacovigilância são:

  •  Melhorar o cuidado com o paciente e a segurança em relação ao uso de medicamentos e a todas as intervenções médicas e paramédicas;
  •  Melhorar a saúde pública e a segurança em relação ao uso de medicamentos;
  •  Contribuir para a avaliação dos benefícios, danos, efetividade e riscos dos medicamentos, incentivando sua utilização de forma segura, racional e mais efetiva (inclui-se o uso custo-efetivo); e
  • Promover a compreensão, educação e capacitação clínica em farmacovigilância e sua comunicação efetiva ao público.


Quem pode realizar a notificação?


      
     O que diz se o sistema de notificação será um sucesso ou não, é a motivação dos notificadores. Antigamente apenas o médico poderia realizar a notificação, pois acreditavam que seu julgamento seria de maior qualidade e asseguraria o mínimo de notificações relacionadas. Hoje, qualquer profissional da saúde pode notificar, fazendo com que haja uma ampla visão do estado do paciente durante o tratamento medicamentoso.              Para obter um quadro representativo, é preciso que todas as unidades de assistência à saúde estejam envolvidas, como hospitais públicos e privados, clínicas gerais, asilos, farmácias e clínicas de medicina tradicional. Todos os lugares onde há uso de medicamentos, deve alertar em caso de reações adversas ou eventos médicos inesperados. Obviamente, quem sente o mal da reação adversa é o paciente, e este quando perceber deve imediatamente contatar seu médico, ou o profissional de saúde responsável, desta forma ele irá realizar a notificação baseando-se no depoimento do paciente, considerando as declarações objetivas. A participação do paciente irá garantir a eficácia do sistema de farmacovigilância. 
       No documento da Organização Mundial da Saúde disponibilizado nas referências, há muitas informações para aprimorar o seu conhecimento, em relação a dificuldades e muito mais. 




Como notificar?


       
      Há um portal que se encontra no site da ANVISA para realizar a notificação, é o Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária – NOTIVISA. O Notivisa recebe notificações de casos confirmados ou suspeitos de queixas técnicas e eventos adversos a medicamentos. Podem ser notificados como eventos adversos a medicamentos as suspeitas de reações adversas, de inefetividade terapêutica e os erros de medicação que levaram a eventos adversos, além das suspeitas de interação medicamentosa, problemas decorrentes do uso não aprovado de medicamentos e do uso abusivo de medicamentos. Já as queixas técnicas abrangem as suspeitas de alteração ou irregularidade de um produto/empresa relacionadas a aspectos técnicos ou legais, que não causaram dano à saúde individual e coletiva até o momento da notificação.
        Antes de realizar a notificação, é necessário o cadastro, lembrando que apenas os profissionais da saúde podem realizar essa notificação. Segue o link para fins de estudo: http://www8.anvisa.gov.br/notivisa/frmCadastro.asp.


Farmacovigilância em ação.








Referências Bibliográficas:



Aloísio Brandão. Talidomida: descobertas, possibilidades, polemicas e cautela. <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/127/015a018_talidomida.pdf>


Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Farmacovigilância. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Pos++Comercializacao+-+Pos+-+Uso/Farmacovigilancia>


Organização Mundial da Saúde. A importância da farmacovigilância: Monitorização da segurança dos medicamentos. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/importancia.pdf>


Centro de Vigilância Sanitária. Farmacovigilância. Disponível em: <http://www.cvs.saude.sp.gov.br/apresentacao.asp?te_codigo=22>


Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Boletim de Farmacovigilância Ano I nº 1 / jul/set de 2012. Disponível em: <www.crfms.org.br/.../373-boletim-de-farmacovigilancia-anvisa.pdf>

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

AUTOMEDICAÇÃO OS RISCOS DE UMA ATITUDE IRRESPONSÁVEL!!!


Automedicação:
os riscos de uma atitude irresponsável

O Brasil é campeão da automedicação. Genéricos ou de marca, com ou sem prescrição, comprados em farmácias reais ou virtuais, o que não faltam são opções de medicamentos e diversas facilidades para adquiri-los, até mesmo no conforto de casa, sem precisar se locomover.

A opção é muito mais atraente e simples do que marcar uma consulta médica para, só então, tomar conhecimento do medicamento mais indicado, posologia, contraindicações e possíveis efeitos colaterais. Isso se o caso realmente necessitar de terapia medicamentosa, pois, muitas vezes, até chegar ao médico aquele sintoma já passou.

Pouca gente imagina, mas os medicamentos são o principal agente causador de intoxicação em seres humanos no Brasil, ocupando, desde 1994, o primeiro lugar nas estatísticas do Sistema
Nacional de Informações Tóxico- Farmacológicas - SINITOX. As crianças menores de 5 anos representam cerca de 35% destes casos de intoxicação.

Recentemente, providências foram tomadas contra o abuso dos antibióticos. Hoje, sua venda é controlada e somente realizada mediante retenção de uma via da receita médica. Ponto para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que visa  combater um grave problema de saúde pública: o desenvolvimento de bactérias cada vez mais resistentes por conta do uso indevido ou incorreto dos antibióticos, o que fortalece os microorganismos.

           Porém, com esta barreira para o uso abusivo, os pacientes passaram a utilizar outra classe de medicamentos, os anti-inflamatórios. Embora utilizem drogas diferentes, para fins distintos, eles vêm sendo adotados para todo o tipo de queixa, desde dores de cabeça, na coluna, dor de garganta, entre muitas outras.

Acontece que os anti-inflamatórios são remédios perigosos e, se administrados indiscriminadamente, podem fazer muito mal, provocando contração dos vasos, retenção de sódio e água, aumentando a pressão arterial, e colocando em risco o coração e os rins. Têm, ainda, ação lesiva sobre o fígado, provocam gastrite e lesão intestinal, tornando o indivíduo passível de desenvolver úlceras no aparelho digestivo. Outro risco importante, comum a automedicação de maneira geral, é o de mascarar doenças ou até agravá-las.


Maior restrição à venda destes medicamentos, a exemplo do que vem acontecendo com os antibióticos, seria uma ação efetiva, porém pontual.
A rigorosa supervisão sobre a venda e prescrição médica deveria atingir a diversas outras classes de medicamentos, pois todos eles, inclusive aqueles de venda livre, não podem ser consumidos sem controle. Todos têm indicações e posologia específicas, além do risco de provocarem efeitos colaterais e danos à saúde.

A população precisa ser informada, conhecer os riscos relacionados aos medicamentos e, sobretudo, ter a oferta de um sistema de saúde adequado que leve ao paciente procurar pelo médico, e não pelo medicamento.

Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

 

Automedicação pode prejudicar a saúde visual

O uso indiscriminado de colírios pode trazer consequências sérias para a visão, inclusive cegueira. Oftalmologista alerta que qualquer medicamento deve ser prescrito por um especialista, mesmo o lubrificante ocular.
Os olhos, assim como a pele, são órgãos que ficam expostos e também sofrem com as mudanças climáticas. Por isso, os cuidados precisam ser intensificados. O calor e o tempo seco podem provocar sensações desconfortáveis como vermelhidão, irritação e a impressão de que os olhos estão com areia. O oftalmologista Celso Boianovsky explica que estes incômodos são típicos do chamado olho seco. “A falta de lubrificação pode, inclusive, facilitar o surgimento de infecções, como a conjuntivite, que é muito comum nesta época do ano”, completa.

Boianovsky conta que o uso de lubrificantes oculares é muito comum nesta época do ano, mas chama a atenção para o fato de que usar qualquer tipo de colírio sem orientação médica é um risco para a saúde ocular, ainda que seja um medicamento simples. “Os lubrificantes não representam riscos, mas devem ser prescritos por um oftalmologista. A mesma regra vale para outros colírios utilizados para o tratamento de patologias oculares como a conjuntivite viral e bacteriana”. Segundo o médico, se o medicamento for utilizado de forma incorreta pode causar sérios danos aos olhos, inclusive cegueira.

Ele esclarece que colírios com antibióticos, se forem utilizados de forma crônica e irregular, podem provocar mutações de bactérias que vão se tornar resistentes ao medicamento. Mesmo aqueles colírios para deixar os olhos branquinhos podem ter efeito colateral e provocar alterações na pressão arterial. Os cremes e pomadas para os olhos também devem ser indicados pelo oftalmologista. Diversas doenças oculares podem ter os mesmos sintomas: coceira, vermelhidão e baixa visão. Sendo assim, apenas o diagnóstico preciso pode indicar o tratamento correto.

“Se as pessoas conhecessem os riscos da utilização de colírios sem indicação médica, jamais se automedicariam. Se for utilizado de maneira errada, além de não resolver o problema pode causar outros, até mesmo que fora da região dos olhos, como taquicardia, asma e depressão”, alerta Dr. Celso.

 
Para minimizar esses Agravos foi sancionada a lei que transforma farmácia em unidade de saúde e altera sua caracterização de estabelecimentos comerciais para locais de promoção do uso racional de medicamentos

A Lei 13.021, que entrou em vigor no, dia 25 de setembro, transforma as farmácias e drogarias do país em unidades de assistência à saúde, alterando sua caracterização de estabelecimentos comerciais para locais de promoção do uso racional de medicamentos.





 

 

Referências

Ministério da Saúde    Email: www.saude.gov.br/
Associação Brasileira de Clínica Médica   Email: sbcm@sbcm.org.br
Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo   Email: portal.crfsp.org.br/