segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Hanseníase

         Ocorreu nos dias 20 a 31 de outubro a Semana Estadual de Combate à Hanseníase.
       A hanseníase, também conhecida popularmente como lepra, é uma das mais antigas doenças a acompanhar o homem em sua estadia na Terra. Antigos textos egípcios, sumérios, babilônios, chineses e até a Bíblia fazem menção da doença.
       Em 1874, o médico norueguês Gerhard Henryk Hansen descobriu o agente causador da doença, o bacilo Mycobacterium leprae, cognominado desde então como bacilo de Hansen , razão pela qual a doença passou a ser conhecida como hanseníase, devido às outras designações (lepra, morféia, mal-de-lázaro) serem alvo de preconceito para com os portadores.

       A moléstia se caracteriza pela presença de lesões na pele, na forma de nódulos ou manchas, esbranquiçadas ou avermelhadas, que apresentam diminuição à sensibilidade seja à dor ou ao tato. Espessamento dos nervos superficiais com diminuição ou mesmo abolição da sensação de dor também pode ocorrer. O exame laboratorial dos tecidos revela a presença de bacilos ácido-resistentes, ou alterações histológicas características nos nervos.

       Em tempos passados, a hanseníase já foi um problema sério de saúde pública. A doença era tida como uma “maldição”, ou como manifestação da “ira dos deuses”. Os doentes eram considerados impuros e eram obrigados a viver apartados de qualquer contato com a sociedade. Até pouco tempo atrás, havia instituições próprias para abrigar os acometidos, denominadas lazaretos, na maioria das vezes mantidas por obras de caridade ou ordens monásticas. Atualmente, porém, com o desenvolvimento de medicamentos eficazes, a doença é facilmente tratada e curável e o paciente, se seguir corretamente a terapia, pode levar uma vida praticamente normal. Infelizmente, ainda persiste muita superstição e preconceito em torno da moléstia.
       A hanseníase tem maior prevalência na África, Ásia e casos endêmicos nas Américas e nas ilhas do Pacífico. Não se tem certeza absoluta de como se processa a transmissão. Metade dos acometidos tem histórico de contato com outras pessoas infectadas, na maioria das vezes, dividindo a mesma casa.  A hanseníase quando não tratada acomete severamente a mucosa nasal e um número elevado de bacilos é encontrado nas secreções nasais, podendo levar a crer que a transmissão também possa se dar por via aérea. Após o contato com o Mycobacterium leprae, o período de incubação costuma ser longo, na média de dois a três anos, mas podendo chegar mesmo a cinco ou sete anos.
       O diagnóstico é dado através do exame clínico de lesões crônicas e complementado pela biópsia. Anticorpos séricos IgM específicos também costumam ser encontrados, embora este exame não seja tão preciso quanto a biópsia. Pode ocorrer casos de pessoas que foram expostas ao bacilo de Hansen não desenvolverem a doença, apresentando apenas anticorpos específicos ao M. leprae. Aqueles que desenvolvem a doença podem apresentá-la sob quatro manifestações clínicas básicas: tuberculóide, lepromatoso (virchowiana), indeterminada e limítrofe (borderline). Tal distinção é meramente clínica; o mais importante é que todos os casos são tratáveis e passíveis de cura. Podem ainda ocorrer reações imunes, os estados reacionais, com exacerbações dos sintomas ou outras manifestações. Os estados reacionais podem ocorrer mesmo em indivíduos já curados; mas isso não significa que ainda são portadores da doença, trata-se apenas de “manifestações residuais”.
       O tratamento é feito através do uso de diversas drogas, tais como dapsona, clofazimina, rifampina, etionamida e talidomida. É importante ressaltar que o tratamento deve ser seguido a risca; pode tratar-se de um tratamento longo (chegando a 5 anos ou mais, talvez), mas não há necessidade de se isolar o paciente do convívio social e ele pode levar uma vida relativamente normal.



SINTOMAS: QUANDO SUSPEITAR DE HANSENÍASE?


       Deve-se suspeitar de hanseníase sempre que houver os seguintes sinais:
·                Manchas esbranquiçadas, róseas ou acobreadas, com sensação de dormência;
·            Qualquer área do corpo (em especial mãos e pés) com diminuição da sensibilidade e/ou da força muscular.
       Se estiver na dúvida se uma mancha é dormente ou não, basta realizar um teste simples: com os olhos fechados ou sem olhar para a região suspeita (para não interferir conscientemente no resultado), toque suavemente a área suspeita e a pele sadia próxima com a ponta de um alfinete. Se na área da mancha sentir o toque de forma diferente ou mesmo não senti-lo, é recomendável procurar assistência médica.
       O TRATAMENTO PARA A HANSENÍASE É OFERECIDO GRATUITAMENTE PARA TODOS OS DOENTES nos Postos de Saúde; também os medicamentos são oferecidos gratuitamente e os pacientes recebem acompanhamento durante todo o tratamento.


FONTES:





BEERS M. et al. The Merk manual of diagnosis and therapy. 17ª ed. New Jersey: Merk & Co., 1999.

TIERNEY L.; McPHEE S. PAPADAKIS M. Diagnóstico & tratamento. s/Ed. São Pulo: Atheneu, 1998.

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