Ocorreu nos dias 20 a 31 de outubro a Semana Estadual de
Combate à Hanseníase.
A hanseníase, também conhecida popularmente como lepra, é
uma das mais antigas doenças a acompanhar o homem em sua estadia na Terra.
Antigos textos egípcios, sumérios, babilônios, chineses e até a Bíblia fazem
menção da doença.
Em 1874, o médico norueguês Gerhard Henryk Hansen descobriu
o agente causador da doença, o bacilo Mycobacterium leprae, cognominado
desde então como bacilo de Hansen , razão pela qual a doença
passou a ser conhecida como hanseníase, devido às outras designações
(lepra, morféia, mal-de-lázaro) serem alvo de preconceito para com os
portadores.
A moléstia se caracteriza pela presença de lesões na pele,
na forma de nódulos ou manchas, esbranquiçadas ou avermelhadas, que apresentam
diminuição à sensibilidade seja à dor ou ao tato. Espessamento dos nervos
superficiais com diminuição ou mesmo abolição da sensação de dor também pode
ocorrer. O exame laboratorial dos tecidos revela a presença de bacilos
ácido-resistentes, ou alterações histológicas características nos nervos.

Em tempos passados, a hanseníase já foi um problema sério de
saúde pública. A doença era tida como uma “maldição”, ou como manifestação da
“ira dos deuses”. Os doentes eram considerados impuros e eram obrigados a viver
apartados de qualquer contato com a sociedade. Até pouco tempo atrás, havia
instituições próprias para abrigar os acometidos, denominadas lazaretos,
na maioria das vezes mantidas por obras de caridade ou ordens monásticas. Atualmente,
porém, com o desenvolvimento de medicamentos eficazes, a doença é facilmente
tratada e curável e o paciente, se seguir corretamente a terapia, pode levar
uma vida praticamente normal. Infelizmente, ainda persiste muita superstição e
preconceito em torno da moléstia.
A hanseníase tem maior prevalência na África, Ásia e casos
endêmicos nas Américas e nas ilhas do Pacífico. Não se tem certeza absoluta de
como se processa a transmissão. Metade dos acometidos tem histórico de contato
com outras pessoas infectadas, na maioria das vezes, dividindo a mesma
casa. A hanseníase quando não tratada
acomete severamente a mucosa nasal e um número elevado de bacilos é encontrado
nas secreções nasais, podendo levar a crer que a transmissão também possa se
dar por via aérea. Após o contato com o Mycobacterium leprae, o período
de incubação costuma ser longo, na média de dois a três anos, mas podendo
chegar mesmo a cinco ou sete anos.
O diagnóstico é dado através do exame clínico de lesões
crônicas e complementado pela biópsia. Anticorpos séricos IgM específicos
também costumam ser encontrados, embora este exame não seja tão preciso quanto
a biópsia. Pode ocorrer casos de pessoas que foram expostas ao bacilo de Hansen
não desenvolverem a doença, apresentando apenas anticorpos específicos ao M.
leprae. Aqueles que desenvolvem a doença podem apresentá-la sob quatro
manifestações clínicas básicas: tuberculóide, lepromatoso (virchowiana),
indeterminada e limítrofe (borderline). Tal distinção é meramente
clínica; o mais importante é que todos os casos são tratáveis e
passíveis de cura. Podem ainda ocorrer reações imunes, os estados reacionais,
com exacerbações dos sintomas ou outras manifestações. Os estados reacionais
podem ocorrer mesmo em indivíduos já curados; mas isso não significa que ainda
são portadores da doença, trata-se apenas de “manifestações residuais”.
O tratamento é feito através do uso de diversas drogas, tais
como dapsona, clofazimina, rifampina, etionamida e talidomida. É importante
ressaltar que o tratamento deve ser seguido a risca; pode tratar-se de um
tratamento longo (chegando a 5 anos ou mais, talvez), mas não há necessidade de
se isolar o paciente do convívio social e ele pode levar uma vida relativamente
normal.
SINTOMAS: QUANDO SUSPEITAR DE HANSENÍASE?
Deve-se suspeitar de hanseníase sempre que houver os
seguintes sinais:
· Manchas esbranquiçadas, róseas ou acobreadas,
com sensação de dormência;
· Qualquer área do corpo (em especial mãos e
pés) com diminuição da sensibilidade e/ou da força muscular.
Se estiver na dúvida se uma mancha é dormente ou não, basta
realizar um teste simples: com os olhos fechados ou sem olhar para a região
suspeita (para não interferir conscientemente no resultado), toque suavemente a
área suspeita e a pele sadia próxima com a ponta de um alfinete. Se na área da
mancha sentir o toque de forma diferente ou mesmo não senti-lo, é recomendável
procurar assistência médica.
O TRATAMENTO PARA A HANSENÍASE É OFERECIDO GRATUITAMENTE
PARA TODOS OS DOENTES nos Postos de Saúde; também os medicamentos são
oferecidos gratuitamente e os pacientes recebem acompanhamento durante todo o
tratamento.


FONTES:
DERMATOLOGIA.NET http://www.dermatologia.net/novo/base/artigos/hanseniase_cura.shtml
PREFEITURA MUNICIPAL DE SOROCABA http://www.sorocaba.sp.gov.br/noticias/campanha-orienta-e-incentiva-o-diagnostico-da-hanseniase
BEERS M. et
al. The Merk manual of diagnosis and therapy. 17ª ed. New Jersey: Merk
& Co., 1999.
TIERNEY L.; McPHEE S. PAPADAKIS M. Diagnóstico &
tratamento. s/Ed. São Pulo: Atheneu, 1998.