Um exame de rotina utilizado no rastreamento do câncer de próstata é o exame por toque retal. Aliado à avaliação de antígeno específico da próstata (PSA) constitui o principal método pelo qual são detectados a maioria dos cânceres de próstata. O exame auxilia ainda no diagnóstico de outras afecções, como câncer colorretal ou fissura anal. Entretanto, ainda hoje há muita restrição e constrangimento por parte dos pacientes que precisam se submeter a este exame. Abordaremos aqui de maneira breve como é realizado o exame.Inicialmente, é necessário ter uma noção da anatomia da próstata. Esta é uma glândula volumosa, de formato e tamanho aproximado de uma noz, localizada logo abaixo da bexiga e adiante do reto. É constituída por três lobos (direito, esquerdo e médio) sendo o direito e esquerdo separados por si por um sulco mediano. A função da próstata é a produção do suco prostático, importante para ativar a movimentação dos espermatozóides.
A posição da próstata logo a frente do reto permite que esta seja palpada indiretamente através do reto, podendo ser avaliada quanto a tamanho, sensibilidade, presença de nódulos e consistência.
O exame é feito em geral com o paciente em decúbito lateral esquerdo (“deitado de lado”, com o lado esquerdo sobre a mesa de exame), porém há clínicos que preferem realizá-lo com o paciente de pé, com o tronco fletido sobre a mesa de exame. O decúbito lateral é preferido por possibilitar que o paciente flexione a perna, facilitando o acesso e diminuindo o desconforto. O clínico insere o dedo enluvado e lubrificado no ânus do paciente, em direção ao umbigo. Neste momento, o clínico avalia a existência de escoriações ou lesões, que possam sugerir a presença de hemorróidas, abscesso perianal, verrugas venéreas ou cancro sifilítico. São avaliados também o tônus do esfíncter anal, a presença de hipersensibilidade e de regiões endurecidas.
Nem sempre apenas o exame de toque retal é suficiente. O dedo do examinador não é capaz de palpar toda a extensão do reto, de modo que lesões acima da área rastreável por este método podem passar despercebidas. Se encontrar algo que provoque a suspeita de uma afecção mais séria, o clínico pode solicitar a realização de uma retossigmoidoscopia.
FONTES
BICKLEY L.S. Bates: Propedêutica médica. 10ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2010
ERHART E.A. Elementos de anatomia humana. 4ª Ed. São Paulo: Atheneu, 1973
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