quarta-feira, 22 de outubro de 2014

AUTOMEDICAÇÃO OS RISCOS DE UMA ATITUDE IRRESPONSÁVEL!!!


Automedicação:
os riscos de uma atitude irresponsável

O Brasil é campeão da automedicação. Genéricos ou de marca, com ou sem prescrição, comprados em farmácias reais ou virtuais, o que não faltam são opções de medicamentos e diversas facilidades para adquiri-los, até mesmo no conforto de casa, sem precisar se locomover.

A opção é muito mais atraente e simples do que marcar uma consulta médica para, só então, tomar conhecimento do medicamento mais indicado, posologia, contraindicações e possíveis efeitos colaterais. Isso se o caso realmente necessitar de terapia medicamentosa, pois, muitas vezes, até chegar ao médico aquele sintoma já passou.

Pouca gente imagina, mas os medicamentos são o principal agente causador de intoxicação em seres humanos no Brasil, ocupando, desde 1994, o primeiro lugar nas estatísticas do Sistema
Nacional de Informações Tóxico- Farmacológicas - SINITOX. As crianças menores de 5 anos representam cerca de 35% destes casos de intoxicação.

Recentemente, providências foram tomadas contra o abuso dos antibióticos. Hoje, sua venda é controlada e somente realizada mediante retenção de uma via da receita médica. Ponto para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que visa  combater um grave problema de saúde pública: o desenvolvimento de bactérias cada vez mais resistentes por conta do uso indevido ou incorreto dos antibióticos, o que fortalece os microorganismos.

           Porém, com esta barreira para o uso abusivo, os pacientes passaram a utilizar outra classe de medicamentos, os anti-inflamatórios. Embora utilizem drogas diferentes, para fins distintos, eles vêm sendo adotados para todo o tipo de queixa, desde dores de cabeça, na coluna, dor de garganta, entre muitas outras.

Acontece que os anti-inflamatórios são remédios perigosos e, se administrados indiscriminadamente, podem fazer muito mal, provocando contração dos vasos, retenção de sódio e água, aumentando a pressão arterial, e colocando em risco o coração e os rins. Têm, ainda, ação lesiva sobre o fígado, provocam gastrite e lesão intestinal, tornando o indivíduo passível de desenvolver úlceras no aparelho digestivo. Outro risco importante, comum a automedicação de maneira geral, é o de mascarar doenças ou até agravá-las.


Maior restrição à venda destes medicamentos, a exemplo do que vem acontecendo com os antibióticos, seria uma ação efetiva, porém pontual.
A rigorosa supervisão sobre a venda e prescrição médica deveria atingir a diversas outras classes de medicamentos, pois todos eles, inclusive aqueles de venda livre, não podem ser consumidos sem controle. Todos têm indicações e posologia específicas, além do risco de provocarem efeitos colaterais e danos à saúde.

A população precisa ser informada, conhecer os riscos relacionados aos medicamentos e, sobretudo, ter a oferta de um sistema de saúde adequado que leve ao paciente procurar pelo médico, e não pelo medicamento.

Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

 

Automedicação pode prejudicar a saúde visual

O uso indiscriminado de colírios pode trazer consequências sérias para a visão, inclusive cegueira. Oftalmologista alerta que qualquer medicamento deve ser prescrito por um especialista, mesmo o lubrificante ocular.
Os olhos, assim como a pele, são órgãos que ficam expostos e também sofrem com as mudanças climáticas. Por isso, os cuidados precisam ser intensificados. O calor e o tempo seco podem provocar sensações desconfortáveis como vermelhidão, irritação e a impressão de que os olhos estão com areia. O oftalmologista Celso Boianovsky explica que estes incômodos são típicos do chamado olho seco. “A falta de lubrificação pode, inclusive, facilitar o surgimento de infecções, como a conjuntivite, que é muito comum nesta época do ano”, completa.

Boianovsky conta que o uso de lubrificantes oculares é muito comum nesta época do ano, mas chama a atenção para o fato de que usar qualquer tipo de colírio sem orientação médica é um risco para a saúde ocular, ainda que seja um medicamento simples. “Os lubrificantes não representam riscos, mas devem ser prescritos por um oftalmologista. A mesma regra vale para outros colírios utilizados para o tratamento de patologias oculares como a conjuntivite viral e bacteriana”. Segundo o médico, se o medicamento for utilizado de forma incorreta pode causar sérios danos aos olhos, inclusive cegueira.

Ele esclarece que colírios com antibióticos, se forem utilizados de forma crônica e irregular, podem provocar mutações de bactérias que vão se tornar resistentes ao medicamento. Mesmo aqueles colírios para deixar os olhos branquinhos podem ter efeito colateral e provocar alterações na pressão arterial. Os cremes e pomadas para os olhos também devem ser indicados pelo oftalmologista. Diversas doenças oculares podem ter os mesmos sintomas: coceira, vermelhidão e baixa visão. Sendo assim, apenas o diagnóstico preciso pode indicar o tratamento correto.

“Se as pessoas conhecessem os riscos da utilização de colírios sem indicação médica, jamais se automedicariam. Se for utilizado de maneira errada, além de não resolver o problema pode causar outros, até mesmo que fora da região dos olhos, como taquicardia, asma e depressão”, alerta Dr. Celso.

 
Para minimizar esses Agravos foi sancionada a lei que transforma farmácia em unidade de saúde e altera sua caracterização de estabelecimentos comerciais para locais de promoção do uso racional de medicamentos

A Lei 13.021, que entrou em vigor no, dia 25 de setembro, transforma as farmácias e drogarias do país em unidades de assistência à saúde, alterando sua caracterização de estabelecimentos comerciais para locais de promoção do uso racional de medicamentos.





 

 

Referências

Ministério da Saúde    Email: www.saude.gov.br/
Associação Brasileira de Clínica Médica   Email: sbcm@sbcm.org.br
Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo   Email: portal.crfsp.org.br/

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