Realizamos no último dia 09, uma
entrevista super legal com a Assistente Social Jandira Aurélio, que é uma das
fundadoras da ONG “Amigas do Peito” de Presidente Prudente - SP. A ONG dá
apoio às mulheres que fizeram ou fazem tratamento de câncer
de mama . Confira agora.
À direita, Jandira Aurélio, Assistente Social e uma das integrantes do grupo que fundou a ONG
1. Qual a importância da campanha na luta contra o
Câncer de mama?
Quanto mais prevenir melhor será,
assim teremos, menos cirurgias menos internações, menos
sofrimento para as mulheres e até mesmo menos gastos públicos. A
prevenção é o melhor remédio. O outubro rosa é um movimento mundial, surgiu nos
EUA em 1997. Foram atitudes isoladas e depois foi ampliando para os outros
países. Este
movimento remete ao laço rosa, que é anterior ao outubro rosa, é o
símbolo da campanha de câncer de mama. Foi iniciado por uma família de americanos. Assim,
estabeleceram que o alerta principal da prevenção do câncer de mama fosse no mês de
outubro. Lá eles fizeram as primeiras iluminações rosa
em edifícios . No Brasil, a primeira iluminação foi 2002, no Parque Ibirapuera no Mausoléu
do Soldado Constitucionalista, foi em outubro e
foi alusiva a campanha do câncer de mama. Em 2008 foi iluminado o Cristo
Redentor no Rio de Janeiro que é o símbolo brasileiro internacionalmente
conhecido. A partir dai a campanha foi se espalhando.
Essa campanha não tem dono, pode fazer a
manifestação positiva dela, quem quiser, da forma que quiser, pode iluminar,
por a camiseta, o laço e etc. Esse símbolo pode ser divulgado por qualquer
cidadão do mundo inteiro. A respeito da importância da campanha, ela é voltada
para a sensibilização das mulheres à respeito da realidade do câncer de mama, é divulgado para que
as pessoas façam os exames, na busca de um
diagnostico precoce. Quanto mais cedo descobrir o tumor, mais rápido e menos
agressivo é o tratamento. Por isso existe esse incentivo, na verdade não tem
como evitar, e falar “ah, vou seguir o protocolo ‘x’ e nunca vou ter câncer de
mama”, não dá. Pois temos como fatores de risco a
carga genética, a qualidade de vida, alimentação. A prevalência maior é entre
40 e 50 anos, a partir dos 60 já diminui o risco.
Nota-se também,
que o outubro rosa é uma campanha que tomou um rumo delicado e
feminino. Aqui em Prudente começou em 2010 liderada por um empresário do ramo
farmacêutico. Nos anos subsequentes ampliando no comércio, entre os empresários,
alguns órgãos públicos e instituições do terceiro
setor.
Dica para
iluminação de prédios: é muito fácil,comprar
nas lojas de produtos eletrônicos uma
tela cenográfica gelatinosa, coloca no
vidro do holofote, não precisa nem trocar a lâmpada. Passou a campanha, é só
tirar a tela.
2. De onde surgiu a idéia de criar a ONG “Amigas do Peito”?
A ONG surgiu através de um grupo
de profissionais de diversas áreas, com formação
acadêmica diferente mas com objetivo comum que era desenvolver um trabalho de a
poio a mulheres com câncer de mama. Como nada é por acaso, nos encontramos, marcamos uma reunião em
abril de 1996. O grupo idealizador era formado por uma física-médica, uma
psicóloga, uma medica mastologista, uma assistente social e duas voluntárias. Após a primeira reunião, foi convidada uma psicóloga de São Paulo, especialista em psico-oncologia, com essa
formação ela deu um treinamento inicial o que
fortaleceu a ideia do grupo,
desencadeando assim o inicio dos trabalhos.Como não tinha sede, o
inicio se deu em espaço cedido pela Casa de Repouso de Presidente Prudente - Rede
Feminina de Combate ao Câncer. Continuamos a fazer as reuniões lá, na primeira reunião foram doze
pacientes. Conforme o trabalho foi sendo divulgado o
numero de pacientes foi aumentando. O Grupo passou por diversos locais cedidos
até que finalmente em 2008 foi possível alugar um imóvel, para assim efetuar a regulamentação e os registros da Entidade,
sendo possível também ampliar os trabalhos e atender com mais conforto as
pacientes. Onde esta
até a presente data Rua Cassimiro Dias- 471 Centro Presidente Prudente.
3. Quais foram as maiores dificuldades para criar
esse projeto?
A maior dificuldade foi a questão
financeira para adquirir os matérias básicos para
atender as pacientes inicialmente. Ate hoje enfrentamos a dificuldade de não
possuir uma sede própria.Este imóvel
alugado é adaptado e pequeno. Temos também barreiras burocráticas para conseguimos a inscrição dessa
entidade nos conselhos de direito, e assim termos
acesso a verbas publicas, no momento o Grupo sobrevive de doações e renda de
bingos anuais. A entidade hoje luta para uma
reorganização e a contratação de uma equipe tecnica visando oferecer um trabalho
de melhor qualidade passível as mulheres com câncer de mama.
4.Como pode ser feito as doações?
Ainda não temos um sistema de
carnê, mas as doações podem ser feitas diretamente na
nossa sede, ou através de telefonema que as voluntárias passam para pegar, sempre
será fornecido o recibo da doação. Recebemos doações de roupas e outros objetos
para serem vendidos no brechó.
5. Quantas voluntárias aproximadamente fazem parte
do projeto?
20 voluntárias. Não tem nenhum
funcionário contratado. O maior desafio hoje é montar essa equipe, esses
profissionais, e deixar os voluntários mais disponíveis para as campanhas. A procedência das
voluntárias é bem variada, um
avisa o outro, algumas são pacientes recuperadas, conhecem a ONG, convivem, criam um laço afetivo, se identificam e começam a
trabalhar. Elas são treinadas antes de iniciarem as
atividades.
6. Quantas mulheres com o diagnóstico são
atendidas?
O atendimento mensal é muito variável. Há um cadastro informatizado,
onde há aproximadamente 700 mulheres registradas, não quer dizer que atendemos
todas, conforme elas têm necessidade e vem na ONG nós atendemos. Todas que passam
pelo atendimento são cadastradas.
7. Já teve casos de homens com câncer de mama que
vieram até vocês e participaram do projeto ou chegou a se voluntariar?
É uma proporção de 1 caso de
homem a cada 100 mulheres. O Grupo ainda não fez nenhum
atendimento a homem.
8. Quais os serviços prestados?
Nós temos quatro linhas de ação.
A primeira é o acolhimento da paciente, quando ela chega pela primeira
vez, feito pelas voluntárias, é informada sobre os direitos que ela tem, se ela
fez a mastectomia já é fornecido o enchimento e o sutiã. Se esta caindo o
cabelo, é doado também o lenço. É explicado o que a ONG faz, é convidada a
participar das atividades do grupo, recebe palavras de consolo, de estímulo, de
apoio, e ela vê que não esta sozinha, e que tem cura, pois aquelas pessoas que
estão ali, passaram por isso e estão curadas. Esse é o processo do acolhimento,
é o primeiro atendimento da paciente. Ela é atendida numa sala reservada só com
a voluntária que vai atendê-la e as voluntarias são alertadas sobre o sigilo e
a ética no atendimento. O segundo projeto é a visita na pré-alta hospitalar, temos parceria com o Hospital Santa Casa de
Misericórdia e o Hospital Regional que nos avisam quando as pacientes são
operadas. As voluntarias visitadoras levam palavras
de consolo,informam sobre a existência do grupo “Amigas do Peito”,
convidam para conhecerem o grupo e participarem das
atividades. Na visita as pacientes
são também presenteadas com um Kit que
contem mimos e material informativo como folhetos e cartilhas ilustrativos
sobre o tratamento e os direitos das mulheres com câncer de mama. O terceiro projeto é uma grande reunião que é
feita todo mês aberta a todas as pacientes. Essa reunião é feita no ultimo
sábado do mês, sempre é tratado um assunto de interesse delas, ou são festejadas as datas comemorativas, tais como: páscoa, dia
das mães, festa junina e confraternização
do natal. O quarto projeto são as doações, fazemos
doações do sutiã, que tem um forro adaptado para que seja colocado a prótese,
ou enchimento, como é também chamado. O enchimento, o sutiã e o lenço são
doados, e temos um banco de perucas que é feito o empréstimo, ela preenche um
cadastro e quando termina de usar, devolve. Então essas são as quatro avenidas de trabalho do Grupo, agora estamos incluindo uma
quinta, que é a campanha do outubro rosa. Nós recebemos doações de cabelos,que serão transformados em perucas para nosso banco de
perucas.
9. O que precisa ser feito para
se voluntariar?
Basta a pessoa se interessar, se
identificar com a causa, gostar de lidar com o público.É
feito um treinamento, uma capacitação. Tem que cumprir
horário, e realizar o trabalho com responsabilidade e
comprometimento.
10. Tem uma lei de foi sancionada
em 2013, que proporciona a reconstrução plástica da mama logo após a cirurgia
de retirada realizada pelo SUS, o que você acha? É importante para a mulher?
É muito importante, é um recurso oferecido pela rede publica de saúde. O ruim são as
filas que esbarramos em todos os recursos da área da saúde no Brasil. Temos
precariedades para ter acesso a esses tratamentos mais complexos, e a cirurgia
de reconstrução da mama é de alta complexidade. Em Presidente Prudente, tem
sido feito reconstruções de mama pelo SUS, eu não sei o numero, mas tem demanda reprimida. É um recurso indispensável,
mas a sociedade tem sempre que lutar para que haja
melhora e aperfeiçoamento dos recursos existentes. Aquelas pacientes que podem, pagam e fazem a
reconstrução de forma particular. (Pergunto se há voluntárias que fizeram a
cirurgia particular e se há também pelo SUS). Sim, nós temos voluntarias que
fizeram recentemente com custos particulares e temos as que fizeram
pelo SUS.
![]() |
| Atual sede da ONG |
![]() |
| Sede da ONG |
![]() |
| Kit doado às mulheres na visita Hospitalar |
![]() |
Enchimento e Sutiã adaptado para mulheres que passaram pela Mastectomia.
|
A Jandira citou na entrevista uma cartilha informativa
escrita por ela, com o título “Direitos Sociais: Mulheres com câncer de mama”.
Nessa cartilha ela aborda os direitos que as mulheres com câncer de mama têm.
Como Direitos previdenciários, Direitos à quitação da casa própria, Direito ao
transporte gratuito, a transporte de Urgência, entre outros.
“Nunca desista de lutar por seus direitos, mesmo que
apareçam barreiras, tenha confiança, todas serão transponíveis. Insista,
questione, peça ajuda, dê quantas viagens forem necessárias, mas nunca
desista.”
Jandira Aurélio
É um trabalho lindo que com certeza faz toda a
diferença. Estivemos lá e logo percebemos a simplicidade e o amor com que o
trabalho é realizado, o anseio em ajudar é visível. Com certeza um exemplo a
ser seguido.
Quem quiser ajudar com doações (cabelo, roupas, sapatos ou
financeiramente) iremos deixar o endereço e o telefone.
Presidente Prudente - SP
Tel: (18) 3221 2656
.png)




Nenhum comentário:
Postar um comentário