
O câncer de mama é hoje amplamente
abordado na mídia, principalmente em relação às medidas de prevenção e detecção
precoce. O que pouca gente sabe, é que este não é um câncer exclusivamente
feminino.
Segundo várias estimativas, apenas
algo em torno de 1% do total de acometidos por câncer de mama são homens.
Porém, o câncer de mama masculino partilha de algumas características do
feminino, assim como o tratamento para ambos são praticamente os mesmos.
O sinal principal do câncer de mama
masculino é a presença de um nódulo indolor, uma massa dura e mal definida, que
se localiza na grande maioria das vezes sob o mamilo ou aréola. Podem estar
presentes também secreção mamilar, retração e/ou erosão da pele circunvizinha.
A ginecomastia (aumento da mama em homens) nem sempre é um indicativo de
predisposição à neoplasia mamária; entretanto, se presente, uma investigação
mais minuciosa é bem-vinda. A secreção mamilar, embora nem sempre esteja
presente, é um achado de alerta. Uma biópsia é necessária para determinar a
natureza do tumor.
O câncer de mama costuma aparecer em
homens por volta dos 60 a 70 anos de idade. Fatores de risco são: histórico
familiar de câncer, presença do gene BRCA2, exposição à radiação, síndrome de
Klinefelter (anomalia genética caracterizada pela presença de um cromossomo X
extra). Há fortes indícios de influência hormonal sobre o tumor. O tipo mais
comum no homem é o carcinoma ductal infiltrante, correspondendo a cerca de 80%
dos casos.
O estadiamento também é o mesmo que
no câncer de mama feminino, levando-se em consideração o tamanho do tumor, o
estado dos linfonodos e a presença ou não de metástases para outros tecidos. Há
cinco estágios, sendo o estágio 0 o tumor in situ que
ainda não alcançou os linfonodos, passando até o estágio IV, o mais alto,
englobando tumores que já lançaram metástases para órgãos distantes. O
estadiamento é de valia por fornecer uma idéia do quão avançado está o câncer,
auxiliando no prognóstico da doença.
Infelizmente, a maioria dos casos de
câncer de mama masculino são detectados tardiamente. O diagnóstico é feito por
meio da avaliação médica e, sobretudo, pelo resultado da biópsia do tumor. Esta
é que guiará a tomada de decisão sobre que tratamento seguir, uma vez que
indica a natureza do tecido tumoral, a presença ou não de receptores de
hormônios e /ou os níveis da proteína HER2/neu. Ressonância magnética,
tomografia computadorizada, tomografia por emissão de pósitrons, ecografia
entre outros exames podem ser requisitados para avaliar se há metástases em
outros órgãos.
O tratamento se faz de maneira
bastante semelhante à do câncer de mama feminino. Recomenda-se, se o quadro for
favorável, a mastectomia radical modificada (remoção cirúrgica da mama e dos
gânglios linfáticos axilares). Para metástases na pele e gânglios linfáticos,
radioterapia. Em estágios avançados de câncer de mama, a orquidectomia (remoção
cirúrgica dos testículos) pode ser de ajuda por eliminar a influência hormonal.
Há casos, porém, em que a orquidectomia pode ser substituída pela terapia com
tamoxifeno 10mg, (V.O., 2 vezes ao dia). Trastuzumabe também costuma ser
utilizado. Segundo um estudo publicado na revista "Cancer" em
2013, 81% dos casos de neoplasia mamária masculina são sensíveis a hormônios
(contra 60%-70% dos casos em mulheres); 15% é HER2 positivo (25-30% 3 em
mulheres); e 4% é triplo-negativo (ou seja, não são sensíveis a nenhum
hormônio; em mulheres essa taxa é de 10-15%). Estão sendo inseridos em alguns
países tratamentos com “fármacos inteligentes”, que atacam receptores específicos
nas células tumorais, causando dano mínimo nas células sadias; tais “alvos” em
geral são a proteína HER2/neu e proteínas angiogênicas presentes no tumor.
Medidas de prevenção: como para
qualquer outro tipo de câncer, é válido ressaltar a importância de manter
hábitos saudáveis, praticar exercício físico regular, manter o peso nos
padrões, evitar o abuso de álcool e o vício em tabaco. Prestar bastante atenção
a qualquer nódulo que surja, mesmo que seja indolor ou não coce. Filhos ou
irmãos de mulheres portadoras dos genes BRCA1 e BRCA2 são aconselhados a também
fazer o teste genético, uma vez que se eles possuírem a mutação tem um risco
muito mais elevado de vir a desenvolver a doença.Referências Bibliográficas:
ABRAHAM J. & ALLEGRA C.J. Bethesda
handbook of clinical oncology. s/ed. Philadelphia: Lippincott Willians
& Wilkins, 2001.
TIERNEY JR, L.M.; McPHEE S.J.;
PAPADAKIS M.A. Diagnóstico e tratamento. s/Ed. São Paulo:
Atheneu, 1998.
BEERS M. et col. The Merk manual of
diagnosis and therapy. 17ª Ed. New Jersey: Merk & Co, 1999.
ONCOGUIA http://www.oncoguia.org.br/site/interna.php?cat=57&id=1007&menu=54
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