terça-feira, 14 de outubro de 2014

Câncer de mama em Homens.



O câncer de mama é hoje amplamente abordado na mídia, principalmente em relação às medidas de prevenção e detecção precoce. O que pouca gente sabe, é que este não é um câncer exclusivamente feminino.
Segundo várias estimativas, apenas algo em torno de 1% do total de acometidos por câncer de mama são homens. Porém, o câncer de mama masculino partilha de algumas características do feminino, assim como o tratamento para ambos são praticamente os mesmos.
O sinal principal do câncer de mama masculino é a presença de um nódulo indolor, uma massa dura e mal definida, que se localiza na grande maioria das vezes sob o mamilo ou aréola. Podem estar presentes também secreção mamilar, retração e/ou erosão da pele circunvizinha. A ginecomastia (aumento da mama em homens) nem sempre é um indicativo de predisposição à neoplasia mamária; entretanto, se presente, uma investigação mais minuciosa é bem-vinda. A secreção mamilar, embora nem sempre esteja presente, é um achado de alerta. Uma biópsia é necessária para determinar a natureza do tumor.
O câncer de mama costuma aparecer em homens por volta dos 60 a 70 anos de idade. Fatores de risco são: histórico familiar de câncer, presença do gene BRCA2, exposição à radiação, síndrome de Klinefelter (anomalia genética caracterizada pela presença de um cromossomo X extra). Há fortes indícios de influência hormonal sobre o tumor. O tipo mais comum no homem é o carcinoma ductal infiltrante, correspondendo a cerca de 80% dos casos.
O estadiamento também é o mesmo que no câncer de mama feminino, levando-se em consideração o tamanho do tumor, o estado dos linfonodos e a presença ou não de metástases para outros tecidos. Há cinco estágios, sendo  o estágio 0 o tumor in situ que ainda não alcançou os linfonodos, passando até o estágio IV, o mais alto, englobando tumores que já lançaram metástases para órgãos distantes. O estadiamento é de valia por fornecer uma idéia do quão avançado está o câncer, auxiliando no prognóstico da doença.
Infelizmente, a maioria dos casos de câncer de mama masculino são detectados tardiamente. O diagnóstico é feito por meio da avaliação médica e, sobretudo, pelo resultado da biópsia do tumor. Esta é que guiará a tomada de decisão sobre que tratamento seguir, uma vez que indica a natureza do tecido tumoral, a presença ou não de receptores de hormônios e /ou os níveis da proteína HER2/neu. Ressonância magnética, tomografia computadorizada, tomografia por emissão de pósitrons, ecografia entre outros exames podem ser requisitados para avaliar se há metástases em outros órgãos.
O tratamento se faz de maneira bastante semelhante à do câncer de mama feminino. Recomenda-se, se o quadro for favorável, a mastectomia radical modificada (remoção cirúrgica da mama e dos gânglios linfáticos axilares). Para metástases na pele e gânglios linfáticos, radioterapia. Em estágios avançados de câncer de mama, a orquidectomia (remoção cirúrgica dos testículos) pode ser de ajuda por eliminar a influência hormonal. Há casos, porém, em que a orquidectomia pode ser substituída pela terapia com tamoxifeno 10mg, (V.O., 2 vezes ao dia). Trastuzumabe também costuma ser utilizado. Segundo um estudo publicado na revista "Cancer" em 2013, 81% dos casos de neoplasia mamária masculina são sensíveis a hormônios (contra 60%-70% dos casos em mulheres); 15% é HER2 positivo (25-30% 3 em mulheres); e 4% é triplo-negativo (ou seja, não são sensíveis a nenhum hormônio; em mulheres essa taxa é de 10-15%). Estão sendo inseridos em alguns países tratamentos com “fármacos inteligentes”, que atacam receptores específicos nas células tumorais, causando dano mínimo nas células sadias; tais “alvos” em geral são a proteína HER2/neu e proteínas angiogênicas presentes no tumor.

Medidas de prevenção: como para qualquer outro tipo de câncer, é válido ressaltar a importância de manter hábitos saudáveis, praticar exercício físico regular, manter o peso nos padrões, evitar o abuso de álcool e o vício em tabaco. Prestar bastante atenção a qualquer nódulo que surja, mesmo que seja indolor ou não coce. Filhos ou irmãos de mulheres portadoras dos genes BRCA1 e BRCA2 são aconselhados a também fazer o teste genético, uma vez que se eles possuírem a mutação tem um risco muito mais elevado de vir a desenvolver a doença.


Referências Bibliográficas:


ABRAHAM J. & ALLEGRA C.J. Bethesda handbook of clinical oncology. s/ed. Philadelphia: Lippincott Willians & Wilkins, 2001.

TIERNEY JR, L.M.; McPHEE S.J.; PAPADAKIS M.A. Diagnóstico e tratamento. s/Ed. São Paulo: Atheneu, 1998.

BEERS M. et col. The Merk manual of diagnosis and therapy. 17ª Ed. New Jersey: Merk & Co, 1999.

ONCOGUIA http://www.oncoguia.org.br/site/interna.php?cat=57&id=1007&menu=54 

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